Novo Eurobarómetro: Portugal é o Estado-Membro que mais reconhece estabilidade na União Europeia

Cada vez mais portugueses veem a União Europeia como um lugar de estabilidade, num contexto de incerteza geopolítica, revela o Eurobarómetro do Parlamento Europeu, publicado dia 1 de julho, quarta-feira.

  • Em Portugal, 94% dos inquiridos consideram a União Europeia um espaço de estabilidade, o valor mais elevado entre os Estados-Membros; a média da UE subiu oito pontos percentuais e é agora de 75%
  • 90% dos portugueses consideram que a adesão à UE foi benéfica, um valor acima da média da UE (74%), com 43 % dos portugueses a salientarem o reforço da voz de Portugal no mundo 
  • 90% dos portugueses e 68% dos europeus consideram que, no futuro, a UE deve desempenhar um papel mais importante na proteção dos cidadãos contra crises mundiais e riscos de segurança 
  • 92% dos portugueses e 73% dos europeus querem que a UE tenha mais meios para enfrentar os desafios globais

Em Portugal, a percentagem daqueles que concordam que a UE é um lugar de estabilidade num mundo conturbado é de 94% (mais cinco pontos percentuais desde o outono 2025). Já a nível europeu, o valor é o mais elevado da última década, atingindo 75%, o que representa um aumento de oito pontos percentuais face ao último estudo.

A atual conjuntura mundial contribui para que 55% dos portugueses e 58 % dos europeus se sintam pessimistas em relação ao futuro (um aumento de sete e seis pontos percentuais, respetivamente). Contudo, 41% dos portugueses e 38% dos europeus dizem estar otimistas.

“Incerteza” e “esperança” são as emoções mais escolhidas pelos cidadãos para descrever o seu atual estado de espírito. Apesar da elevada incerteza sentida por 49% dos inquiridos em Portugal, 48% dizem ter esperança. Estes valores são mais elevados do que a média da União Europeia, em que 44% dizem sentir incerteza e 43% dizem ter esperança.

«Num momento de incerteza global, os europeus veem cada vez mais a União Europeia como um farol de estabilidade. Num mundo conturbado, essa confiança é o maior trunfo da Europa. E traz consigo uma expectativa clara para que continuemos a agir de forma decisiva, proporcionando segurança, prosperidade e oportunidades aos nossos cidadãos», afirmou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

Quarenta anos depois de Portugal entrar na União Europeia, nove em cada dez portugueses consideram que o país beneficiou com a adesão, posicionando-se entre os europeus mais euroentusiastas, apenas atrás do Luxemburgo, da Dinamarca (ambos os países com 91% de inquiridos a responder o mesmo) e de Malta (94%). A média europeia de 74% equivale a um máximo histórico registado, pela primeira vez, em janeiro/fevereiro de 2025.

Com esta adesão, a União Europeia dá aos portugueses uma voz mais forte no mundo: é o que dizem 43% dos portugueses inquiridos sobre os principais benefícios de Portugal ser um país Estado-Membro da UE. De seguida estão a contribuição para o crescimento económico (40%) e novas oportunidades de emprego (31%).

Para os europeus, esses benefícios recaem mais sobre a defesa da paz e o reforço da segurança (40%), e a melhoria da cooperação entre Estados-Membros (34%), seguindo-se o crescimento económico (28%).

 Portugueses querem UE focada na competitividade, economia e indústria

Para reforçar a sua posição no mundo, os portugueses consideram que a UE deve centrar-se na competitividade, economia e indústria (43%) e na segurança e defesa (38%). Esta última é prioritária para os europeus (39%), que põem em segundo lugar a independência energética (35 %; mais seis pontos desde o outono de 2025).

Na perspetiva de 90% dos portugueses inquiridos, o papel da União Europeia contra as crises mundiais e os riscos de segurança deve ser reforçado no futuro – em linha com 68% dos europeus. A grande maioria (97%) dos portugueses gostaria que os Estados-Membros estivessem mais unidos no contexto atual e afirmam que a UE deve promover o respeito pelo direito internacional (96%). A média europeia também é alta, registando 90% dos inquiridos a partilhar estes sentimentos. Ao mesmo tempo, tanto os portugueses (92%) como os europeus (73%) defendem que a UE precisa de mais recursos para enfrentar os desafios mundiais.

 Boa qualidade de vida, mas receio pelo futuro

A maioria dos portugueses (74%) estão satisfeitos com a sua qualidade de vida. No entanto, este valor é inferior à média europeia, que atinge os 83%. Este valor desce para 47% em Portugal, e para 40% na UE, entre os que afirmam ter dificuldades em pagar as suas contas na maior parte das vezes.

Em termos sociodemográficos, os jovens portugueses, entre os 15 e os 24 anos e entre os 25 e os 39 anos, são os mais satisfeitos (com 90%; e 74%repetivamente). Também aqueles com um nível de escolaridade mais elevado (85%) dizem estar satisfeitos.

Entende-se por “qualidade de vida”: a saúde física e mental (para 61% dos portugueses; 51% dos europeus), a qualidade e acessibilidade dos cuidados de saúde (para 50% dos portugueses; 46% dos europeus) e a situação financeira (para 48% dos portugueses; 49% dos europeus).

Quando questionados sobre o que poderia melhorar para aumentar a qualidade de vida, os inquiridos apontaram a situação financeira e capacidade de fazer face às despesas do dia a dia (53% em Portugal e 42% na média europeia).

Cerca de quatro em cada dez portugueses (39%) preveem que o seu nível de vida diminua nos próximos anos. Portugal é o segundo país da UE em que esta perceção é mais elevada, situando-se apenas atrás dos franceses, que atingem os 44%. Entre os europeus, cerca de três em cada dez (29%) partilham deste sentimento. Em Portugal, 39% dos inquiridos acreditam que o seu nível de vida deverá manter-se inalterado - 50% dos europeus concordam. Apenas 14% dos portugueses estimam que o seu nível de vida aumente (18% dos europeus).

 Inflação deve ser uma prioridade para o Parlamento Europeu

A opinião de que a economia tem de melhorar está em linha com as respostas dos europeus à pergunta sobre quais os temas mais urgentes a ser tratados pelo Parlamento Europeu.

A principal prioridade dos portugueses para o Parlamento Europeu é a inflação, o aumento dos preços e o custo de vida (65%; superior à média europeia de 47%, que registou um aumento de seis pontos percentuais). Seguem-se a saúde pública (62%) e a economia e criação de emprego (47%). Esta última surge em segundo lugar na média europeia (35%), à frente da defesa e segurança da UE (34%).

A paz é o principal valor a ser defendido, de acordo com 58% dos portugueses e 51% dos europeus.

Sete em cada dez portugueses querem que o Parlamento Europeu desempenhe um papel mais importante

A imagem do Parlamento Europeu é positiva para 58% dos portugueses (contrastando com 38% dos europeus) e 69% consideram até que esta instituição deveria desempenhar um papel mais importante. Seis em cada dez europeus pensam o mesmo, e afirmam ainda estar satisfeitos com o funcionamento da democracia na União Europeia, o que representa um aumento de cinco pontos percentuais desde novembro de 2025.

 Pode consultar os resultados completos no sítio Web do Eurobarómetro.